Desnutrição na doença hepática A Desnutrição Energético-Proteica (DEP) está associada à doença hepática independente de sua etiologia. <br/>
A prevalência de DEP é alta, principalmente no estágio avançado da doença hepática. <br/>
Segundo relatos da literatura, a desnutrição em pacientes com cirrose<br/>
descompensada varia de 60 a 100% e em pacientes com cirrose compensada é no mínimo 20%. <br/>
Em pacientes candidatos a transplante hepático, quase 100% apresentam algum grau de desnutrição 2. <br/>
Entretanto, devido às dificuldades de avaliação do estado nutricional em pacientes cirróticos, esses<br/>
números podem estar mascarados 3. <br/>
A etiologia da desnutrição na cirrose é multifatorial, porém pode-se classificá-las em três principais grupos: a) Causas que limitam a ingestão oral; b) Causas que reduzem a digestão e a absorção; c) Causas que interferem no metabolismo dos nutrientes. <br/>
A<br/>
maioria dos pacientes cirróticos sofre de sintomas gastrointestinais como anorexia, saciedade precoce secundária a ascite, alteração do paladar, náuseas e vômitos que limitam a ingestão oral. <br/>
A prevalência de perda de peso, náuseas e anorexia em pacientes cirróticos é relatada em 60%, 55% e<br/>
87% respectivamente 4. <br/>
Alterações no paladar têm sido associadas com deficiência de zinco e magnésio 5. <br/>
Efeitos colaterais de medicamentos e de dietas excessivamente restritivas em proteína e sódio parecem ser causas comuns da redução da ingestão e conseqüente desnutrição na cirrose,<br/>
entretanto, poucos estudos avaliaram a magnitude deste problema 1. <br/>
9 Nutrição Clínica Entre as causas que reduzem a digestão e a absorção de nutrientes, cita-ser a deficiência de sais biliares, supercrescimento bacteriano, redução da absorção intestinal de proteínas e alteração da<br/>
permeabilidade intestinal 6, 7. <br/>
Ocorre má-absorção de gorduras, de vitaminas lipossolúveis e de cálcio devido à colestase ou insuficiência pancreática concomitante. <br/>
A esteatorreia tem sido descrita em 40% dos cirróticos, sendo que 10% apresentam esteatorreia grave (mais de 30g/dia).<br/>
<br/>
Cita-se também a má-absorção de vitaminas hidrossolúveis, devido ao abuso do álcool 1. <br/>
São descritas alterações no metabolismo dos nutrientes. <br/>
Alterações no metabolismo dos carboidratos estão associadas com resistência a insulina, redução na gliconeogênese e redução nos estoques de<br/>
glicogênio hepático e muscular. <br/>
Como resultado, ocorre aumento na lipólise e oxidação preferencial de lipídeos para produção de energia 8, 9. <br/>
Entre as alterações no metabolismo das proteínas há redução na síntese de uréia e de proteínas hepáticas, redução na absorção intestinal de<br/>
proteínas e aumento na excreção urinária de nitrogênio. <br/>
A doença hepática está associada a uma menor razão de aminoácidos aromáticos por aminoácidos ramificados 10. <br/>
Ainda são necessários mais esclarecimentos sobre a causa do contínuo estado hipercatabólico em pacientes cirróticos.<br/>
<br/>
Mensurações do gasto energético basal nesses pacientes demonstram diferenças significativas em relação a controles saudáveis 8, 11, 12. <br/>
Sabe-se que o hipercatabolismo nesses pacientes é mediado por citocinas, mais especificamente pelo fator de necrose tumoral (TNF) e interleucinas 1 e 6<br/>
(IL-1 e IL-6), que encontram-se aumentadas em pacientes cirróticos e apresentam efeito catabólico no músculo, no tecido adiposo e no fígado 13. <br/>
Também tem sido descrita a influência de endotoxinas produzidas pelas bactérias intestinais gram-negativas, que freqüentemente são encontradas na<br/>
corrente sanguínea de pacientes cirróticos. <br/>
Acredita-se que essas endotoxinas desencadeiem a liberação de citocinas e óxido nítrico, que podem ser os mediadores do estado catabólico assim como da circulação hiperdinâmica do paciente cirrótico(14). <br/>
Estudos sugerem que a presença de ascite<br/>
pode contribuir para o aumento no gasto energético e que a redução por parecentese resultaria em uma redução significativa no gasto energético de repouso, avaliado por calorimetria 15. <br/>
Nutrição Profissional 34 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2012 A terapia nutricional para paciente com doença<br/>
hepática é um tema complexo. <br/>
O fígado é o principal centro regulador da homeostase nutricional e, por isso, pacientes com doença hepática podem desenvolver deficiências nutricionais importantes. <br/>
Os tradicionais métodos de avaliação do estado nutricional geralmente não refletem a<br/>
realidade desses pacientes. <br/>
Além disso, existe uma enorme variedade nas causas e na gravidade da doença hepática. <br/>
Essas razões tornam o manejo da terapia nutricional em pacientes hepatopatas particularmente mais complicado e dificultam o estabelecimento de recomendações para a terapia<br/>
nutricional em pacientes com hepatopatias 1. <br/>
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